Uma viagem de Campo Grande a Barretos, no interior de São Paulo, que deveria levar pacientes e acompanhantes ao destino com segurança, virou uma sequência de panes e espera na rodovia. Segundo denúncia feita por Heraldo Stockler Bojikian, de 59 anos, a esposa dele, que faz tratamento no Hospital de Câncer de Barretos, enfrentou quase 24 horas de deslocamento em um ônibus da empresa Viação Total, que teria quebrado quatro vezes durante o trajeto. A denúncia chegou ao Campo Grande News , na manhã desta quarta-feira (24), através do canal Direto das Ruas . Segundo Heraldo, a esposa embarcou em Campo Grande às 20h45 de domingo. Conforme o relato do marido, o primeiro problema ocorreu ainda na madrugada de segunda-feira, logo depois de Presidente Prudente. Depois, o ônibus voltou a apresentar falhas perto de Penápolis, em outro ponto que a esposa não conseguiu identificar, e, por fim, próximo ao município de José Bonifácio, também em São Paulo. “Tentaram arrumar, fizeram uma gambiarra, segundo a minha esposa, e não deu certo. Estourou a tampa do radiador de cima, depois estourou a tampa do radiador de baixo”, disse. De acordo com o denunciante, os passageiros ficaram cerca de três horas parados na beira de uma rodovia em São Paulo. Ele questiona a falta de assistência no trecho. “O que me causou estranheza, porque tem suporte, tem apoio, porque são privatizadas, mas nenhum tipo de socorro apareceu”, relatou. Ainda segundo Heraldo, a empresa teria enviado um mecânico, mas até o atendimento virou problema. “A empresa encaminhou o mecânico, que eu não sei se é da empresa ou se é alguém improvisado. No caminho, a caminhonete quebrou também”, contou. A situação teria ficado pior porque, conforme o relato, a água potável disponível aos passageiros foi usada no radiador do ônibus para tentar manter o veículo em funcionamento. “Para você ter uma ideia, pegaram a água que tinha à disposição dos passageiros, para colocar no radiador para poder continuar a viagem. E aí, na hora em que o ônibus quebrou, onde eles ficaram mais tempo, na rodovia, eles não tiveram nem água para beber”, afirmou. Sem água e sem banheiro no local, passageiros precisaram caminhar até um posto. “As pessoas tiveram que andar cerca de um quilômetro para chegar a um posto que tinha, para conseguir tomar água e ir ao banheiro”, disse Heraldo. A esposa dele viajava acompanhada de uma prima. Segundo o denunciante, parte dos passageiros tentou conseguir carona, mas o motorista teria se recusado a retirar bagagens do compartimento do ônibus. “O motorista disse que não ia retirar a bagagem, porque era muita coisa”, declarou. Como as malas da esposa e da prima estavam na parte inferior do compartimento, elas conseguiram seguir até José Bonifácio em uma ambulância. Além das duas, também foram levados um senhor e uma senhora que, segundo Heraldo, também fazem tratamento. O grupo ficou em um posto que seria ponto de parada do ônibus na cidade, de onde continuaria a viagem. Medo do retorno – Heraldo afirma que costuma acompanhar a esposa nas idas a Barretos, mas, desta vez, não pôde viajar. “Na maioria das vezes, a gente conseguiu ir de carro, eu consegui ir acompanhando ela, mas, dessa vez, por questões de trabalho, não pude”, explicou. Após o ocorrido, ele publicou uma reclamação no site “Aonde Não Irem Campo Grande” contra a empresa. Segundo Heraldo, comentários de outros usuários também apontam problemas envolvendo a Viação Total. O denunciante diz ainda ter prints da conversa com a empresa e critica o atendimento recebido. “As respostas, você percebe que são robotizadas e, assim, é um descaso, um despreparo, uma desconsideração total com os usuários, com os passageiros”, afirmou. A preocupação aumentou quando, na noite desta terça-feira, uma conhecida da esposa, embarcaria de Barretos para Campo Grande. Segundo Heraldo, o ônibus previsto para a viagem seria o mesmo. “Adivinha qual era o ônibus? O 018003. Ou seja, eles talvez fizeram alguma gambiarra para colocar esse ônibus na estrada”, disse. De acordo com ele, o veículo deveria sair de Barretos às 22h, mas já estava três horas atrasado porque estaria quebrado nas proximidades de São José do Rio Preto. “Que Deus abençoe e que tenham conseguido retornar sãos e salvos as pessoas de ontem”, declarou. A esposa de Heraldo tem retorno previsto de Barretos para Campo Grande no ônibus das 22h de hoje, novamente pela empresa. O marido afirma que ela foi orientada a acionar a polícia caso o veículo 018003 apareça na rodoviária. “Não tem condição de ela pegar esse ônibus, ainda mais agora com esse frio, passar a noite com o ônibus quebrado, uma noite gelada, sem condição, sem nenhuma garantia de assistência”, afirmou. A reportagem entrou em contato com a empresa pelo telefone 0800 085 8080 e foi informada pela atendente de que solicitações da imprensa devem ser feitas somente por e-mail. O Campo Grande News enviou pedido de posicionamento à empresa sobre as falhas relatadas, a assistência prestada aos passageiros, a possível reutilização do ônibus 018003, eventuais medidas de segurança e a possibilidade de ressarcimento. A reportagem aguarda retorno.

