Qual conselho do seu pai você não ouviu e hoje paga um preço alto?

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Hoje é Dia dos Pais, e o Lado B foi às ruas perguntar: qual conselho do seu pai você não escutou e hoje paga o preço? Entre histórias sobre amizades, estudos e escolhas da juventude, as respostas revelam que, apesar de o tempo passar, alguns ensinamentos atravessam gerações. "Meu pai sempre dizia para olhar bem as amizades". Aos 48 anos, o técnico em carnes Humberto Alves diz que o pai insistia em um conselho que, na época, ele não levou tão a sério: escolher bem as amizades. "Ele falava: 'Filho, conheça bem as pessoas de quem você se aproxima. São elas que vão influenciar sua conduta e o seu caráter'." Humberto admite que ignorou o alerta e acabou convivendo com pessoas que lhe trouxeram problemas. Hoje, vê a orientação do pai com outros olhos e faz questão de repetir o mesmo ensinamento para a filha adolescente. "Os pais são os melhores amigos que a gente pode ter. São eles que não vão te levar para o mau caminho. Agora cabe a ela ouvir." A trabalhadora doméstica Nilma Tereza, de 46 anos, também lembra que o pai alertava sobre as amizades. Na juventude, ela acreditava que conseguia fazer as próprias escolhas sem precisar ouvir os mais velhos. "Na mocidade, a gente pensa que sabe tudo. Depois acontece exatamente aquilo que o pai falou e você pensa: 'Poxa, eu devia ter escutado'. Mas adolescente gosta de pagar pra ver", diz. Hoje, como mãe, ela percebe que vive a mesma situação do outro lado. Repete às filhas os conselhos que recebeu, mas sabe que muitos jovens ainda preferem aprender com a própria experiência. "Eu sempre digo para elas o que meu pai dizia para mim. Filho que escuta pai e mãe tem muito mais chance de dar certo.", explica. Foi o estudo que marcou a infância da Lineia Trindade, de 43 anos. O pai trabalhava pesado sob o sol e insistia para que a filha estudasse, justamente para ter uma vida diferente da dele. "Ele falava: 'Estuda bastante para você não precisar trabalhar no sol quente igual eu'." Ela admite que não deu atenção ao conselho. Enquanto deveria estar na sala de aula, preferia pular o muro da escola para encontrar o namorado. "Em vez de estudar, eu ia namorar", relembra rindo. Anos depois, reconhece que a escolha teve consequências, e agora ela faz questão de repetir o mesmo conselho dentro de casa. "Hoje eu trabalho muito para sustentar meus filhos. Não é a vida que meu pai sonhava para mim. Eu digo para eles fazerem o que eu não fiz. Estudem. Escutem o pai de vocês, porque pai sabe o que fala.", finaliza. Diferentemente dos outros entrevistados, o escritor Valter Gonçalves, de 71 anos, diz que conseguiu seguir o principal ensinamento que recebeu do pai. O incentivo aos estudos acompanhou toda a sua vida. "Meu pai dizia que quem não estuda não constrói uma profissão nem consegue dar uma boa estrutura para a família.", conta. Valter afirma que carregou essa orientação ao longo da vida. Casado há 50 anos, pai de três filhos e avô de sete netos , ele diz que o conselho continua vivo dentro da família. "Passei isso para os meus filhos, e hoje eles passam para os filhos deles." Para ele, os desafios mudaram, mas o papel dos pais continua com o mesmo objetivo de orientar. "Hoje o perigo está nas más companhias, nas drogas e na desinformação. Os pais precisam observar e orientar, porque lá na frente isso faz toda a diferença", conclui.

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