Migalhas de amor
Há relações que não acabam de forma abrupta. Elas vão se desfazendo aos poucos, em doses pequenas demais para provocar uma ruptura imediata, mas constantes o suficiente para nos ensinar a aceitar quase nada. São relações que não oferecem amor inteiro, presença verdadeira ou cuidado contínuo — oferecem migalhas. E o mais perigoso das migalhas de amor não é a escassez em si, mas a forma como, com o tempo, aprendemos a nos contentar com elas. Migalhas não parecem cruéis à primeira vista. Elas vêm disfarçadas de promessas, de gestos ocasionais, de palavras bonitas que não se sustentam em atitudes. Um carinho hoje para compensar dias de ausência. Uma mensagem afetuosa depois de longos silêncios. Um pedido de desculpas sem mudança real. O suficiente para reacender a esperança, insuficiente para construir segurança. E assim seguimos, esperando que a próxima migalha seja finalmente um banquete. O problema é que o ser humano se adapta. Adaptamo-nos à falta, à inconsistência, ao mínimo. Começamo..
Continue Reading
