A falta que faz a gentileza
A gentileza tem se tornado uma espécie rara neste mundo que corre, que exige, que consome. Vivemos na era do imediato, do agora, do “pra ontem”, onde o tempo parece sempre escasso demais para caber o cuidado, a escuta, o olhar atento. As pessoas passam umas pelas outras como quem atravessa um corredor estreito, desviando, evitando contato, protegidas por telas, pressa e uma certa indiferença aprendida. Ser gentil, hoje, quase soa como um atraso — como se fosse perda de tempo segurar uma porta, esperar alguém terminar de falar, responder com paciência uma pergunta simples. Como se a delicadeza fosse um luxo que não cabe na rotina acelerada. E, no entanto, é justamente o contrário: nunca foi tão necessária. Porque é na ausência da gentileza que o mundo se torna áspero. É no silêncio de um “bom dia” não dito que começa o distanciamento. É na resposta ríspida, no olhar que não se levanta, no julgamento rápido, que as relações vão se esvaziando de humanidade. A falta de gentileza não chega ..
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