Apesar da redução de casos, o número de homicídios de pessoas negras em Mato Grosso do Sul ainda é 50% maior que o de não negras. Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira (26), no Atlas da Violência, levantamento que reúne registros de 2014 a 2024. No cenário nacional, foram contabilizados, em 2024, 32.820 homicídios de pessoas negras, o equivalente a 77% do total. A taxa é de 27,3 mortes a cada 100 mil habitantes, o que representa, em média, 89,9 pessoas negras assassinadas por dia no país. No levantamento, a categoria “negros” reúne pretos e pardos. Entre os não negros, grupo que inclui brancos, amarelos e indígenas, foram registrados 9.234 casos. A taxa é de 10,1 homicídios por 100 mil habitantes, uma diferença de 170,3% em relação à população negra. Em MS, dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que a população negra somava 1.472.898 pessoas, de um total de 2.757.013 habitantes no Estado, o que ajuda a dimensionar o impacto dos índices de violência sobre esse grupo. Na divisão por estados, Mato Grosso do Sul aparece na 21ª colocação, com 351 mortes de pessoas negras em 2024. O número representa queda de 17,8% ao longo de 10 anos e de 6,14% na comparação com 2023. Mesmo com a redução, o dado indica que aproximadamente uma pessoa negra é morta por dia no Estado. No ranking por taxa de homicídios, MS sobe para a 15ª posição, com índice de 27,8 por 100 mil habitantes, ligeiramente acima da média nacional. Quando comparado aos homicídios de não negros, o Estado registra números cerca de 50% menores. Em 2024, foram 164 casos, com queda de 42,7% em dez anos. Na comparação anual, porém, houve aumento de 2,5%. A taxa é de 13,5 por 100 mil habitantes, pouco menos da metade da registrada entre pessoas negras. O levantamento também aponta que, no Brasil, pessoas negras têm 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que não negras. Em Mato Grosso do Sul, essa diferença é menor, mas ainda significativa: 1,6 vez maior. “Apesar da evidente maior exposição da população negra ao risco de morte por homicídio, quando comparada à população não negra, essa desigualdade ainda não é plenamente reconhecida como expressão concreta do racismo”, aponta o Atlas da Violência.


