Na primeira audiência do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, sobre a morte do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, a tese mantida pelo advogado é de legítima defesa. Antes de entrarem na sala da 1ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum, Ricardo Machado afirmou que seu cliente está “confiante na resposta do Poder Judiciário”, mas “abalado pela tragédia ocorrida”. O crime ocorreu quando a vítima, com a ajuda de um chaveiro, foi até a casa de Bernal para tomar posse do imóvel arrematado em leilão. Segundo Machado, o ex-prefeito viu aquilo como uma invasão à sua residência e, com a arma na mão, entrou na casa para defender seu patrimônio. “Ainda a gente fala sobre legítima defesa sim, porque imaginem: vocês, sabedores de que dois invasores adentraram, arrombaram o seu imóvel. Vocês tendo a possibilidade de ter uma arma, os senhores entrariam com a arma na cintura ou com a arma em punho para intimidá-los?”, questiona o advogado, ressaltando que Bernal, ao acessar a casa armado, esperava render os presentes, “só que a resposta da vítima, ao invés de levantar a mão, ele foi para cima do Bernal”, afirma. Segundo o advogado, esse avanço de Mazzini não foi registrado nas câmeras de segurança, mas sustenta que há uma testemunha ocular que estava presente no momento dos tiros e vai apresentar essa versão. “Então, o que ele fez foi se defender. Tanto é, que basta observar que os tiros foram abaixo do peito, nenhum tiro foi letal. Infelizmente aconteceu essa tragédia. Só que em momento algum Bernal teve a intenção deliberada de provocar um óbito, de provocar um homicídio, mas a intenção dele é clara e simples de se defender, de defender o patrimônio”, sustenta. A audiência, presidida pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, ouve hoje testemunhas de acusação, sete ao todo, e amanhã ouvirá 12 de defesa, entre elas o próprio ex-prefeito. Crime – Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Roberto foi morto a tiros no dia 24 de março, em um imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados. O imóvel havia pertencido anteriormente a Bernal e teria sido adquirido pela vítima em procedimento realizado pela Caixa Econômica Federal. Mazzini estava no local acompanhado de um chaveiro para acessar a residência quando Bernal chegou armado. O MP sustenta que o ex-prefeito surpreendeu a vítima e efetuou os disparos sem possibilidade de defesa. A acusação aponta que o crime foi motivado por inconformismo com a perda do imóvel, classificando o caso como homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público também destaca que Mazzini tinha mais de 60 anos, circunstância que aumenta a pena prevista em lei.


