A morte como condição da vida
Antes de existirem organismos capazes de morrer, estrelas já nasciam, transformavam elementos químicos e desapareciam, fornecendo a matéria que, bilhões de anos mais tarde, passaria a integrar todos os seres vivos aqui na Terra. Naquela perspectiva, morrer não significava o desaparecimento da matéria, mas o sumiço de uma determinada forma de organização. Pessoas morrem. Animais morrem. Árvores morrem. Em todos esses casos, a impressão é a mesma: primeiro existe a vida; depois vem a morte. A biologia sugere uma interpretação surpreendente: a morte talvez não esteja apenas no final da vida. Ela participa continuamente do seu funcionamento. Essa interpretação parece, a princípio, estranha porque observamos os organismos em uma escala muito diferente daquela em que a vida realmente acontece. Quando encontramos uma árvore centenária ou reencontramos um amigo depois de muitos anos, temos a impressão de que permanecem essencialmente os mesmos. Essa sensação de permanência é tão forte que quas..
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