Fiems abre caminho para ampliar acesso da indústria de MS ao crédito do BNDES

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Crédito disponível só vira investimento quando consegue chegar à empresa. É justamente essa distância entre os recursos oferecidos pelo sistema financeiro e os projetos da indústria que uma nova agenda entre a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende encurtar. As duas instituições avançaram na construção de uma parceria para facilitar o acesso das empresas sul-mato-grossenses a financiamento, estimular projetos de inovação e criar condições para novos investimentos em modernização, tecnologia e expansão da capacidade produtiva. O alinhamento ocorreu em reunião no Rio de Janeiro. Mais do que apresentar linhas de financiamento, a estratégia prevê aproximar o BNDES das indústrias e oferecer suporte para transformar projetos empresariais em operações efetivamente financiáveis. Um dos primeiros passos será levar a Mato Grosso do Sul um encontro com representantes do BNDES, agentes financeiros e gerentes de bancos. A proposta é colocar frente a frente quem oferece os recursos e quem precisa deles para investir. A iniciativa ocorre em um momento de expansão e diversificação da economia sul-mato-grossense, que tem recebido investimentos industriais e demanda cada vez maior por tecnologia, máquinas, infraestrutura e inovação. Nesse cenário, acesso a financiamento de longo prazo pode ser decisivo para empresas que pretendem crescer ou ganhar produtividade. Segundo o vice-presidente da Fiems, Crosara Júnior, a aproximação busca converter as oportunidades oferecidas pelo banco em investimentos concretos dentro do Estado. “Estamos construindo uma relação cada vez mais próxima com o BNDES para transformar oportunidades em resultados concretos para a indústria de Mato Grosso do Sul. A aproximação com o banco amplia o acesso a crédito, incentiva a inovação e cria condições para que nossas empresas invistam em modernização, tecnologia e expansão”, afirmou. Da linha de crédito ao projeto aprovado Um dos pontos considerados estratégicos é justamente ajudar as empresas a percorrer o caminho, muitas vezes complexo, entre a intenção de investir e a liberação do financiamento. A Fiems Conecta deverá funcionar como uma espécie de ponte entre as indústrias e o BNDES. A plataforma dará apoio às empresas interessadas em operações de crédito direto, auxiliando na estruturação dos projetos, esclarecendo dúvidas e acompanhando os processos. A proposta prevê ainda maior interação entre a agência e os analistas de projetos do banco. A intenção é reduzir dificuldades técnicas que podem impedir bons projetos de avançar por falta de estruturação adequada. “A Fiems Conecta será responsável por executar os projetos junto ao BNDES, tirar dúvidas das empresas e acompanhar todo o processo. A diretoria do banco reconheceu o grande potencial de crescimento de Mato Grosso do Sul, e a proposta da nossa agência foi muito bem recebida”, afirmou a consultora-chefe da Fiems Conecta, Renata Farias. Máquinas, tecnologia e inovação A agenda também mira a modernização do parque industrial. Fiems e BNDES pretendem ampliar o diálogo com fornecedores de máquinas e equipamentos para atualizar o portfólio de tecnologias que podem ser enquadradas nas modalidades de financiamento destinadas à inovação e à modernização das empresas. Outro eixo é incentivar projetos de maior valor agregado, principalmente aqueles relacionados à implantação de novos produtos e tecnologias no País. A estratégia pode aumentar a capacidade de Mato Grosso do Sul de disputar investimentos que vão além da produção de matérias-primas e avançam sobre etapas industriais de maior conteúdo tecnológico. A aproximação não começou agora. Em maio, durante encontro empresarial promovido pela Fiems, o BNDES informou ter cerca de R$ 70 bilhões em linhas de crédito disponíveis para o setor produtivo brasileiro. Na mesma ocasião, foi apresentada a Fiems Conecta, criada para reunir soluções envolvendo crédito, financiamento, incentivos fiscais, inteligência de mercado e capacitação empresarial. O desafio, daqui para frente, será fazer com que parte desse dinheiro encontre projetos viáveis em Mato Grosso do Sul. Se a estratégia funcionar, a parceria poderá atacar um dos obstáculos recorrentes ao investimento: não basta haver dinheiro disponível. Empresas precisam conhecer as linhas, reunir condições para acessá-las e apresentar projetos capazes de atravessar as etapas técnicas e financeiras exigidas. É nesse espaço, entre o crédito anunciado e a máquina efetivamente instalada no chão da fábrica, que Fiems e BNDES pretendem construir a nova parceria.

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