Há quatro meses o Sesc (Serviço Social do Comércio) tenta se desfazer, por meio de leilão, de dois imóveis que estão trancados e sem uso há anos em Mato Grosso do Sul: o antigo Cine Campo Grande e um balneário localizado em Bonito. O primeiro foi comprado em 2013 pela entidade e chegou a registrar princípios de incêndio após a ação de vândalos. Já o segundo está fechado desde o início da pandemia de covid-19, em 2020, segundo informou anteriormente a assessoria de imprensa do Sesc. O plano inicial era obter cerca de R$ 20 milhões para o caixa do Sistema Comércio, que inclui a Fecomércio (Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul) e o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), além do Sesc. Desse total, R$ 3,5 milhões serviriam para acelerar a reforma do parque Horto Florestal da Capital, conforme já afirmou ao Campo Grande News o ex-diretor da entidade, Edison Ferreira de Araújo. A prefeitura concedeu o espaço público, com a expectativa de que a maior parte das melhorias seja concluída até o fim deste ano. Três leilões com tentativas de vender o cinema e o balneário foram lançados entre 24 de fevereiro e 24 de junho deste ano, nenhum com sucesso. As duas primeiras ofertas foram prorrogadas até o fim de março, com a promessa de redução de preço no caso do imóvel da Capital, o que não ocorreu. O antigo Cine Campo até foi arrematado por R$ 4.944.755,22, porém, o interessado não transferiu parte do valor (40%) no prazo previsto, levando ao cancelamento da transação. O Sesc e o leiloeiro Reinaldo Perdomo foram procurados no período, mas não revelaram outros detalhes. A vereadora Luiza Ribeiro (PT), apoiadora de um protesto contra a venda do cinema, o último cinema de rua que havia restado em Campo Grande, participou de uma reunião com representantes do Sesc. Após o fracasso do leilão, ela afirmou à reportagem que a tentativa de compra envolveu até oferta de crédito de carbono, rejeitada porque a modalidade não era prevista no edital. Enquanto isso, os dois leilões do balneário ficaram desertos. Mesmo com a redução de preço de R$ 15 milhões para R$ 10 milhões e a opção de parcelar 60% do valor em até cinco vezes, ninguém se interessou. O resultado saiu ontem (24). Sem novidades – A assessoria de imprensa do Sesc foi questionada sobre os leilões frustrados e a mudança de planos. "Com a posse da nova diretoria da Fecomercio (Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul), os assuntos em andamento seguem em fase de avaliação. Entre eles, também estão incluídas eventuais definições relacionadas ao leilão do balneário e do antigo Cine Campo Grande. Havendo deliberação, as medidas cabíveis serão encaminhadas. No momento, não há previsão de mudanças no planejamento dessas ações", respondeu nesta quinta-feira (25). O diretor agora é Juliano Wertheimer. Ele assumiu o cargo há apenas nove dias. Não houve declarações sobre os imóveis à venda durante a coletiva de imprensa realizada no dia da posse. Desocupado há mais de uma década – Enquanto o balneário abriu as portas em 2020 e recebeu turistas por um curto período até a declaração da emergência sanitária, o prédio de Campo Grande só teve projetos, mas nenhum uso. A CGU (Controladoria-Geral da União) emitiu um alerta sobre a desocupação, que nos anos de 2017 e 2023 sujeitou o prédio aos riscos de incêndio. Desde a compra em 2013, ela soma cerca de 13 anos. Em resposta ao órgão federal, o Sesc justificou dificuldades que começavam pela falta de vagas para estacionamento. “Durante o trabalho de empresa, identificou-se a necessidade de vagas de estacionamento. No entanto, o prédio ocupava 100% da área do terreno, inviabilizando a criação de estacionamento. Foi necessário desarquivar o processo legal de projetos anteriores para obter informações históricas e, ao fazê-lo, descobriu-se que uma das condicionantes da aprovação original, em 30/10/1986, era a existência de um estacionamento em outro lote próximo, o qual se encontrava construído, caracterizando o edifício do cinema em desacordo com a legislação vigente”, detalhou. Depois, houve autorização para demolição do imóvel seguida da desistência, com a apresentação de projeto para a construção do Sesc Cultura, que faria o Centro "vibrar", mas tinha valores impraticáveis. Assim, o anúncio da intenção de vendê-lo foi feito em 2025. Segundo a descrição feita no site do leilão, o imóvel tem dois pavimentos e subsolo, com área total construída de 1.307,36 m². No pavimento térreo, estão o cine 1 e o cine 2. No pavimento superior, há salas de espera, banheiros, cabines de projeção e salas técnicas. No subsolo, são encontradas salas de manutenção, cabine de força, antecâmara e caixa d’água. O endereço é Rua 15 de Novembro, 750. Já o balneário fica no km 10 da rodovia MS-345, a "Estrada do 21", entre Bonito e Aquidauana, e possui 35,1583 hectares de área total. Além de águas cristalinas e cachoeiras, tem uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) de caráter perpétuo em 20% de sua totalidade (19,4800 hectares), destinada à reposição florestal, e uma boa estrutura já montada. Está a 9 km do Hotel Sesc.

