Motorista leva poesia às corridas e faz passageiro esquecer o celular

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Tem passageiro que entra no carro olhando para o celular e sai segurando um envelope com poesia. Outros acabam puxando conversa sobre amor, saudade, família ou sonhos. Em alguns casos, segundo a motorista de aplicativo Bruna Lemos Cembranel, de 30 anos, a experiência é tão diferente que faz as pessoas esquecerem até a tela do telefone por alguns minutos. Motorista há seis meses, ela decidiu transformar o carro em galeria itinerante. Além de levar passageiros aos destinos, também oferece poesias escritas por ela mesma. A ideia surgiu de algo que já era rotina. "Eu já escrevia poesia muito antes de dirigir. Um dia percebi que passava o dia inteiro encontrando pessoas e pensei: 'E se eu colocasse minhas poesias para viajar também?' A ideia parecia meio maluca, então obviamente resolvi fazer." As poesias ficam disponíveis durante as corridas e podem ser levadas pelos passageiros. Segundo Bruna, a reação costuma seguir um roteiro parecido. "Primeiro vem aquela cara de 'como assim?'. Depois a curiosidade. E muitas vezes a viagem vira conversa." Ela diz que o celular, companheiro inseparável da maioria das pessoas, acaba ficando em segundo plano. "Tem gente que esquece até o celular por alguns minutos, o que hoje em dia já é quase um milagre." Isso também virou uma oportunidade de conhecer histórias. "Às vezes a pessoa compra uma poesia e leva junto uma conversa sobre amor, saudade, sonhos, família, coragem ou mudanças de vida." Para a motorista, uma das maiores descobertas dos últimos meses foi perceber que quase todo mundo carrega algo importante para contar. "Descobri que as pessoas carregam histórias incríveis e só precisam de uma pequena abertura para compartilhá-las." Entre as muitas corridas, algumas reações ficaram marcadas. Houve passageiros emocionados, clientes que voltaram para comprar mais poesias e pessoas que disseram ter encontrado exatamente a mensagem que precisavam naquele dia. Mas existe uma situação que ela considera especial. "Acho que o mais marcante é quando alguém entra como passageiro e sai parecendo um velho conhecido." A relação com a escrita acompanha Bruna há anos. Segundo ela, a poesia esteve presente em diferentes momentos da vida, especialmente nos recomeços. "Meu sonho é simples e gigante ao mesmo tempo: espalhar poesia por aí e provar que ela não mora só nos livros." Para ela, os versos podem surgir nos lugares mais improváveis. "Ela pode morar dentro de um carro de aplicativo, numa conversa de quinze minutos ou no bolso de alguém dentro de um envelope colorido." Ao longo dos seis meses como motorista, Bruna diz que aprendeu a enxergar cada corrida de uma forma diferente. "Eu comecei levando pessoas aos seus destinos e, com o tempo, percebi que somos todos viajantes do tempo. Cada passageiro está vivendo um capítulo diferente da própria história." Por isso, decidiu aproveitar os encontros que acontecem todos os dias no banco de trás. "Hoje, enquanto construo o meu sonho, também planto sementes através da poesia."

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