Megaoperação instala equipamento de 300 toneladas na fábrica da Arauco

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A construção da futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, registrou nesta terça-feira (26) uma das etapas mais complexas do Projeto Sucuriú. Em uma megaoperação de engenharia, o balão de vapor da caldeira de recuperação, que pesa mais de 300 toneladas, foi içado a quase 100 metros de altura e instalado no topo da maior caldeira de recuperação do mundo em uma fábrica de celulose. O balão de vapor, com peso equivalente a cerca de 200 carros ou duas Estátuas da Liberdade, é considerado peça central do processo industrial. Conhecido como o “coração” da fábrica, ele é responsável pela separação entre água e vapor gerado na caldeira, etapa fundamental para a produção de energia. Segundo o diretor de Engenharia e Implantação do Projeto Sucuriú, Claudinei Santos, a estrutura terá capacidade para operar com mais de 2.400 toneladas de vapor por hora. Após passar pelos superaquecedores, o vapor seco seguirá para as turbinas, onde calor e pressão serão convertidos em energia elétrica renovável. A expectativa é de uma geração superior a 400 MW de energia, sendo metade destinada ao consumo da própria fábrica e o restante encaminhado ao Sistema Nacional. A operação mobilizou centenas de trabalhadores, equipes especializadas e dois guindastes com capacidade para levantar até 750 toneladas. O processo exigiu meses de planejamento, estudos técnicos e protocolos rigorosos de segurança, envolvendo cálculos sobre peso, centro de gravidade, estabilidade, velocidade de içamento, clima e condições do solo. Para o presidente da Arauco Brasil, Carlos Altimiras, o momento representa um marco do empreendimento. “Não se trata apenas da instalação de um equipamento de grande porte, mas de uma etapa que conecta planejamento, engenharia, segurança e execução”, afirmou. A fornecedora da caldeira, a Valmet, também destacou a dimensão da operação. O vice-presidente executivo da companhia na América Latina, Celso Tacla, classificou a entrega da maior caldeira de recuperação do mundo como um desafio de alta tecnologia, exigindo integração entre engenharia, fabricação, logística e montagem. Já o diretor de Celulose, Energia e Circularidade da Valmet na América Latina, Fernando Scucuglia, ressaltou o trabalho das equipes de gerenciamento e execução, apontando o içamento como uma atividade de elevada complexidade e precisão. A operação contou ainda com participação da Enesa Engenharia, responsável por parte das estruturas metálicas que sustentam o equipamento. O diretor-executivo da empresa, Hélio Nodari, destacou o trabalho conjunto entre as companhias para o cumprimento do cronograma do projeto. O balão de vapor é um vaso único com 32 metros de comprimento, 3,15 metros de largura e 3,81 metros de altura, ultrapassando 300 toneladas. Fabricado na China, o equipamento chegou ao Projeto Sucuriú em 7 de março, após uma viagem logística de aproximadamente 45 dias entre os dois países. Depois disso, percorreu por transporte terrestre o trajeto entre o Porto de Santos (SP) e Inocência (MS), em um deslocamento que durou 48 dias. Operação em 2027 – O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil, com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões. A planta terá capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta. Instalada em uma área de 3.500 hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, ao lado do Rio Sucuriú, a unidade tem previsão de entrar em operação no fim de 2027.

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