A futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, deu mais um passo para se tornar também uma grande produtora de energia elétrica. A companhia iniciou, na noite de 31 de outubro, a energização de uma linha de transmissão de 95 quilômetros que permitirá conectar a unidade industrial ao SIN (Sistema Interligado Nacional). Quando estiver em operação, a fábrica deverá disponibilizar ao mercado cerca de 200 megawatts (MW) excedentes, volume que, segundo a empresa, será suficiente para abastecer uma cidade com mais de 800 mil habitantes. A estrutura atravessa áreas rurais de Inocência e Selvíria, até chegar à Subestação Ilha Solteira 2. São 192 torres e uma linha de alta tensão de 230 quilovolts (kV), construída para permitir a conexão do empreendimento à rede elétrica nacional. A energização começou às 23h do dia 31 de outubro e representa uma nova etapa da implantação do Projeto Sucuriú, investimento de US$ 4,6 bilhões destinado à construção daquela que a companhia apresenta como a maior fábrica de celulose do mundo construída em etapa única. “Esse avanço reflete o compromisso de toda a equipe com a segurança das operações e com o cumprimento do cronograma de implantação da fábrica”, afirma Claudinei Santos, diretor de Engenharia e Implantação do Projeto Sucuriú. Fábrica produzirá mais de 400 MW de energia Além de produzir celulose, a unidade industrial foi projetada para gerar eletricidade em larga escala, aproveitando o processo produtivo. A capacidade instalada de geração será superior a 400 MW, dos quais aproximadamente 200 MW serão utilizados para atender às necessidades da própria fábrica. O restante será destinado ao sistema nacional de comercialização de energia elétrica. Na comparação apresentada pela Arauco, o excedente corresponde à demanda energética de uma cidade com população superior a 800 mil habitantes. A geração de energia está associada ao aproveitamento de subprodutos do processo industrial da celulose, especialmente a biomassa e o licor negro, utilizados como combustíveis em sistemas de recuperação energética. Esse modelo permite que fábricas do setor produzam a eletricidade necessária às próprias operações e, em determinados casos, comercializem o excedente. A conexão ao SIN permitirá que a energia disponibilizada pela Arauco seja integrada à rede nacional, contribuindo para o abastecimento de consumidores em diferentes regiões do país. “Com início de operação previsto para o último semestre de 2027, a fábrica também terá a geração de energia elétrica a partir da produção de celulose. Serão cerca de 200 megawatts excedentes que serão disponibilizados ao sistema nacional, contribuindo para ampliar a oferta de energia ao País”, explica Claudinei. A energização da linha não significa, entretanto, que a fábrica já tenha começado a produzir ou fornecer esse excedente. A geração está vinculada à entrada em operação da unidade industrial, prevista para 2027. Linha atravessa dois municípios e exige cuidados Com 95 quilômetros de extensão, a linha de transmissão possui uma faixa de servidão de 50 metros de largura ao longo do percurso, sendo 25 metros de cada lado do eixo da estrutura. Nessa área, existem restrições para construções, determinados plantios e atividades que possam comprometer a segurança da rede elétrica. Leonardo Crociati, gerente executivo de Projeto e Implantação do Projeto Sucuriú, alerta especialmente para os riscos de queimadas e da aproximação indevida de pessoas e equipamentos. “Entre as principais recomendações estão manter distância das torres e dos cabos e não realizar queimadas nas proximidades da rede, já que o fogo pode comprometer a estrutura e provocar acidentes graves. Também não se deve soltar pipas, balões ou outros objetos que possam entrar em contato com os fios”, orienta. Segundo o executivo, as restrições de uso da faixa de servidão buscam evitar acidentes e preservar o funcionamento da infraestrutura. Obras ultrapassam 80% de conclusão A energização ocorre em um momento em que a construção da fábrica já superou 80% de execução, índice alcançado em outubro. O empreendimento também atingiu o pico de trabalhadores mobilizados durante as obras. Com o avanço da implantação, os trabalhos entram em uma fase concentrada na montagem final de equipamentos e no comissionamento, processo que envolve testes, inspeções e ajustes necessários para colocar os sistemas industriais em funcionamento. “Nesta etapa, serão realizados ajustes nos equipamentos e processos, além do alinhamento das equipes aos procedimentos operacionais, para garantir que a fábrica alcance os padrões de qualidade esperados para a produção de celulose”, explica Claudinei Santos. A previsão é que a unidade entre em funcionamento no segundo semestre de 2027. A produção será elevada gradualmente até atingir a capacidade projetada de 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta. Localizado a aproximadamente 50 quilômetros do centro de Inocência, em uma área de 3,5 mil hectares próxima ao Rio Sucuriú, o complexo representa a entrada da Arauco no segmento de produção de celulose no Brasil. O investimento anunciado é de US$ 4,6 bilhões. Durante a implantação, a companhia prevê mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Após a entrada em operação, a estimativa é de aproximadamente 6 mil empregos nas atividades industriais, florestais e logísticas.


