Alunos de Medicina protestam por melhorias e contra avaliação em universidade

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Cerca de 100 estudantes do curso de Medicina da Uniderp, em Campo Grande, protestam contra problemas na infraestrutura oferecida pela instituição e questionam uma mudança no sistema de avaliação. Eles estão concentrados na Rua Ceará, em frente à entrada, com cartazes. O trânsito é liberado quando o semáforo abre para os veículos passarem. A Polícia Militar acompanha o ato. Arthur Moreira, que se identificou como organizador do protesto, está no oitavo semestre. Ele explica que a manifestação ocorre concomitantemente em outras universidades brasileiras privadas administradas pelo Grupo Kroton, caso da Uniderp. Segundo ele, os estudantes se uniram para "reivindicar melhorias no ensino, mais suporte pedagógico, estabilidade metodológica e aumento das práticas, principalmente para quem está no internato". Em relação à avaliação, Arthur conta que faltou a universidade dar preparo para garantir bom desempenho acadêmico. "Estamos reivindicando, em resumo, uma gestão mais justa", diz. O novo sistema avaliativo é presencial, segundo o organizador, vai aumentar o nível de exigência e cobrar mais conteúdos. A insatisfação não é por isso, ele explica, mas sim, motivada pela falta de suporte. Uma notificação extrajudicial assinada por advogado e pelos universitários foi entregue à Uniderp. Mensalidades – A aluna do segundo semestre, Isabella Pavão, afirmou que os valores das mensalidades não são compatíveis com a qualidade entregue pela universidade. Eles começam em R$ 10 mil e chegam a mais de R$ 16 mil perto do fim do curso. "A gente está aqui numa manifestação pacífica contra a faculdade, que cobra um alto valor das mensalidades, mas precisa melhorar a infraestrutura e rever essa nova forma de avaliação. Nós não estamos sendo bens instruídos para o que é cobrado nas avaliações", disse. Também estudante do 8º semestre, Pedro Nogueira explica que o novo sistema de provas é chamado de APPC (Avaliação de Progresso e Proficiência Clínica). Ele não é a favor da retirada, apenas pede que o nível do ensino e de orientação seja elevado para acompanhá-la. “Nós estamos aqui exercendo os nossos direitos como estudantes. A APPC é necessária, nós acreditamos, mas com o devido amparo, com antecedência e possibilidade de nos prepararmos. Infelizmente, a unidade tem problemas estruturais e de ensino, mas acreditamos que possa melhorar”, finalizou. Colega de turma de Pedro, Milena Magalhães considera curto o tempo de preparo para uma prova ampla, em que correm risco de reprovar e ter de refazer matérias. "A gente apoia a existência dessa prova, os alunos precisam ser testados para evoluir do ciclo básico, para o clínico e o internato. Agora instituíram a APPC, que mesmo que você passe em todos os módulos, você vai ficar retido se não passar. Tem conteúdo da faculdade inteira. Só que isso, se fosse avisado com antecedência, é uma situação. O problema é que 90 dias antes da prova eles avisaram que vai existir essa prova, porque se a gente não for aprovado, a gente vai ficar retido. A gente não sabe o conteúdo dessa prova, a gente não sabe quantas questões vão ter, não sabe a nota de corte pra gente poder passar e eles também não sabem", descreve a universitária. O Grupo – A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Kroton e da Uniderp. Em nota, a empresa argumentou que está fazendo melhorias relacionadas ao curso desde o início deste mês, que incluem novos laboratórios e outras estruturas. "A Uniderp informa que mantém em andamento um plano de melhorias para o curso de Medicina, com investimentos em infraestrutura, ações acadêmico-pedagógicas e fortalecimento dos cenários de prática. As intervenções, com início ainda no mês de agosto, incluem novos laboratórios, espaços de tutoria e auditórios, além da melhoria de outros ambientes utilizados pelo curso e pela Universidade", começou. Sobre os espaços de prática, a assessoria informou que mantém parcerias para ampliá-los. "A instituição também mantém parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde, hospitais e outras unidades da rede, assegurando aos estudantes experiências práticas em diferentes níveis de atenção à saúde", continua a nota. Já em relação à APPC, a universidade esclareceu que ela "acompanha o desenvolvimento dos estudantes e integra as adequações acadêmicas realizadas em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais". Além disso, convida os representantes de turmas para uma nova reunião marcada para a próxima terça-feira (18). No encontro, "serão atualizados sobre o cronograma das obras e os investimentos previstos, além de discutirem propostas de melhorias acadêmicas apresentadas pelos estudantes. As sugestões deverão ser protocoladas junto à coordenação até 17 de agosto", conclui.

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