Após nove meses na fila da adoção, Celine chegou para aumentar a família de Orlando Beraldo e Tato Mansano. Juntos há 14 anos, os dois começaram a conversar sobre a adoção de uma filha quando completaram dois anos de relacionamento, mas foi em 2023 que o plano saiu do “e se”. Com a nova rotina dos pais, foi Orlando quem ficou como porta-voz para contar a história da família ao Lado B . Tato estava ao lado dele, ajudando a lembrar de todos os detalhes enquanto continuava os cuidados com a filha. O anúncio da chegada da bebê foi feito de forma singela e intimista para quem acompanha o casal nas redes sociais. Em um vídeo curto, daqueles que aquecem o coração, os dois apareceram com bonés escritos “PAI” e Celine no colo para apresentar a filha aos seguidores. A decisão, que pode parecer recente para quem acompanha os dois de fora, foi tomada há 12 anos. “Desde que tínhamos dois anos de relacionamento, já conversávamos sobre adotar uma criança. Sempre tivemos essa certeza de que iríamos adotar. Em 2023, tomamos a decisão de dar entrada no processo. Antes, era sempre aquele ‘vamos adotar um dia’. Era um sonho, mas decidimos dar o primeiro passo e procurar o fórum para entender como funcionava”, explica. Desde então, o casal passou pelo curso obrigatório para quem deseja entrar na fila da adoção, por conversas com assistentes sociais e psicólogos, além de entregar uma série de documentos. Todo esse processo durou um ano e oito meses. Foi em janeiro deste ano que os dois foram habilitados e entraram na fila da adoção. Naquele momento, estavam na posição 92. A expectativa pela chegada da filha acompanhou o casal até mesmo durante as viagens. “A gente tinha essa expectativa de que ela chegasse, mas também sabia que poderia não acontecer naquele momento”, conta. O casal havia acabado de voltar de férias em Paris e de uma viagem de trabalho a São Paulo (SP) quando decidiu preparar o quarto da bebê. “Quando voltamos, olhamos um para o outro e falamos: ‘Vamos começar a arrumar o quartinho dela para deixar tudo pronto, porque acho que agora ela chega’”. A preparação começou em um dia. No seguinte, veio a ligação do núcleo de adoção informando que havia uma bebê dentro do perfil deles. “Foi muito como se a chegada dela estivesse desenhada. A gente meio que sentiu que ela ia chegar, e ela chegou. Sentimos que ela viria estar aqui com a gente. E o tempo de fila foi de nove meses, coincidentemente”, relembra. Em 20 de outubro, Orlando e Tato receberam a notícia que mudaria a rotina da família. “Recebemos uma mensagem do núcleo de adoção informando que havia uma bebezinha dentro do nosso perfil para conhecermos. Fomos ao fórum e conversamos com a assistente social para saber o histórico de saúde dela e conhecer um pouco sobre a criança. Naquele momento, ainda não tínhamos visto a bebê”, explica. Celine conheceu os pais aos dois meses de vida, após eles participarem de um novo encontro com a equipe do fórum. No abrigo onde ela estava, os dois passaram por outra entrevista, dessa vez com a coordenadora, a psicóloga e a assistente social do local. “Enquanto conversávamos, a psicóloga saiu da sala e voltou com a bebê no colo. Ela disse: ‘Trouxe a filha de vocês para vocês conhecerem’. Na hora em que olhamos para ela, se ainda existia 1% de dúvida, acabou. Quando vimos o rostinho dela, veio toda a emoção que ainda não tinha aparecido. Começamos a chorar de emoção. Olhei para a carinha dela e pensei: ‘Nossa, filha, não tem, não tem pergunta mais’”, relembra. Após a visita, foram necessários cinco dias para que Celine pudesse conhecer seu novo lar. Durante esse período, os pais correram para terminar os preparativos para a chegada da filha. “Aproveitamos aqueles dias em que ela ainda não estava em casa para organizar tudo. Isso ajudou a diminuir um pouco a ansiedade, porque tínhamos muitas coisas para fazer e não ficamos sofrendo tanto com a espera”. Orlando trabalha de casa e Tato está de licença-paternidade. Assim, os dois têm se revezado nos cuidados com a filha. “Estamos curtindo bastante essa nova rotina. Não é querendo romantizar, mas a gente está gostando muito. Ela chora, claro, mas eu, da minha parte, estou curtindo muito. O Tato também está curtindo. A gente tenta não romantizar, mas essa fase é tão bonita que acaba romantizando mesmo assim”. Como pais de primeira viagem, os dois têm recebido ajuda de amigos e familiares, mas, por enquanto, todos só conheceram Celine por fotos e vídeos. “Celine ficou uma semaninha internada logo que chegou, e a gente ficou acompanhando-a durante a internação. Agora que viemos para casa, por conta disso, não estamos recebendo nenhuma visita. Então, está todo mundo mega ansioso para conhecê-la pessoalmente”.


