É só abrir o porta-malas: Fábio assa chipa e até “chirros” dentro do carro

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Quem passa pelo Parque dos Poderes logo cedo talvez não veja de imediato, mas sente o cheiro da chipa assando. É assim que muita gente descobre o carro de Fábio Spolador, de 49 anos, estacionado entre um expediente e outro, no vai e vem de servidores e frequentadores da região. Foi na Avenida do Poeta que ele montou um ponto de venda no porta-malas de uma Kangoo. O forno veio primeiro e, a partir dele, Fábio pensou em como organizar cada detalhe: o espaço para estoque, a bancada improvisada e a forma de transformar um carro comum em uma cozinha sobre rodas. “O pessoal que vem fica impressionado, pergunta quem teve a ideia, quem fez a montagem, e eu digo que saiu da minha cabeça”, comenta, em tom bem-humorado. O negócio tem pouco mais de 2 meses, mas já se tornou sua principal fonte de renda. Em casa, a esposa ainda ajuda a equilibrar as contas. Antes disso, a rotina era outra: foram cerca de 10 anos trabalhando com climatização, incluindo 3 anos e meio em Portugal. Quando voltou ao Brasil, sentiu que precisava mudar. “Falei para minha esposa que queria um novo desafio. Demorou, mas agora saiu do papel”, diz. Antes de se firmar no Parque dos Poderes, ele tentou outros pontos da cidade: feiras, calçadas e até a frente de universidades. “Não tive muito êxito”, resume. Foi só quando decidiu estacionar próximo ao Tribunal Regional Eleitoral que percebeu a mudança. Os clientes começaram a voltar, indicar e perguntar. “Ali eu vi que podia dar certo”, lembra. Hoje, a rotina começa antes do sol nascer. Às 5h, Fábio já está de pé, organizando as assadeiras, passando café e, nos dias mais frios, preparando até chocolate quente. Por volta das 7h, já está no Parque dos Poderes. Fica até o horário de almoço, retorna às 13h e segue até o fim da tarde, alternando entre pontos próximos à Secretaria de Educação e ao Tribunal de Justiça. A chipa, que já tem público fiel, sai quente, direto do forno para as mãos dos clientes. Vendida a R$ 2 a unidade, também entra na promoção de 6 por R$ 10. Já a coxinha de costela é R$ 10. Mas é o “chirros” que chama atenção e desperta curiosidade. “Não é churros, é chirros”, explica, antes mesmo da pergunta terminar. A criação, uma massa de chipa em formato de canudo recheada na hora diante do cliente, custa R$ 5 e tem quatro opções de recheio. “O próximo passo é o chirros gourmet”, antecipa, já pensando em novos sabores e melhorias. O empreendedor avalia que, no fim, é o conjunto que faz a diferença. “O diferencial é estar perto das pessoas, com tudo quentinho logo pela manhã”, resume. Mas nem tudo é fácil. Para Fábio, o maior desafio é lidar com o clima instável: o sol forte e a chuva podem atrapalhar as vendas. Há também a disputa silenciosa por um bom local para estacionar. “Conseguir um lugar bom nem sempre é fácil”, relata. Por enquanto, os produtos vêm de fornecedores, uma escolha prática para quem ainda não tem uma cozinha própria. “Como moro de aluguel, não compensa montar tudo agora. Mas vou chegar lá”, projeta.

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