O bom-humor não é alegria, é coragem
Caro(a) conviva, Existe uma tirania silenciosa que ninguém comenta em voz alta: a exigência de que você esteja bem. Não qualquer bem. Um bem visível, performático, postável. O bem que aparece nos dentes à mostra das fotos e nos “tô ótimo!” respondidos antes mesmo de a pergunta terminar. Engolimos isso como se fosse virtude. E confundimos, há muito tempo, bom-humor com ausência de dor. Não é isso. Aristóteles tinha um nome para o que estou tentando descrever. Chamava de eutrapelia, uma palavra que os tradutores modernos sacrificam em “graciosidade” ou “jocosidade”, mas que carrega algo muito mais preciso: a capacidade de se mover com leveza dentro da realidade, não apesar dela. Era, para ele, uma virtude moral. Um meio-termo entre a grosseria de quem nunca ri e a futilidade de quem só ri. O homem eutrapélos sabia brincar com o peso da existência sem fingir que ele não existia. É uma distinção que a nossa cultura esqueceu completamente. A psicóloga clínica Julie Smith tem uma forma de di..
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