Afogamentos e doenças: verão nem chegou, mas calor já é tempo de alerta

Brasil Geral Mato Grosso do Sul Notícias Últimas notícias

O perigo pode estar na piscina, no balde esquecido no quintal ou até no armário de produtos de limpeza. Com o calor e a aproximação das férias escolares, as crianças passam mais tempo brincando, dentro e fora de casa, enquanto situações aparentemente inofensivas podem terminar em acidentes. E não é apenas a segurança que preocupa: desidratação, infecções intestinais e problemas respiratórios também entram na lista de cuidados que os pais precisam reforçar. Em Mato Grosso do Sul, a atenção ganha importância diante da previsão de temperaturas acima da média histórica entre novembro e janeiro . Conforme prognóstico do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), o período também deve registrar chuvas intensas e tempestades, combinação que exige adaptações na rotina das famílias. O calor já levou a rede pública de ensino a adotar medidas preventivas. Em setembro, a SED (Secretaria de Estado de Educação) orientou as escolas estaduais a suspender atividades físicas durante períodos de temperaturas extremas e reforçar a oferta de água. Em Campo Grande, a rede municipal também passou a contar com protocolo para situações de calor, fumaça e outros eventos climáticos . Fora das salas de aula, os cuidados continuam. O médico pediatra pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Otávio Rubin de Araújo explica que crianças são mais vulneráveis à perda de líquidos e podem apresentar complicações em pouco tempo, principalmente quando o calor vem acompanhado de vômitos ou diarreia. “As crianças já tendem a desidratar com altas temperaturas. Se estiverem vomitando ou apresentando diarreia, esse risco aumenta exponencialmente”, alerta. Sinais que exigem atenção – A desidratação nem sempre começa com sintomas evidentes. Choro sem lágrimas, boca seca, diminuição da quantidade de urina e sonolência fora do habitual estão entre os sinais que devem chamar a atenção dos responsáveis. Vômitos persistentes, dificuldade para ingerir líquidos, prostração e piora do estado geral exigem avaliação médica. Em casos de diarreia ou vômitos, a reposição de líquidos e sais, quando indicada, deve ser feita com solução de reidratação oral. A oferta de água também precisa ser adequada à idade da criança. Outro cuidado está na alimentação. As altas temperaturas favorecem a deterioração de alimentos mantidos fora das condições adequadas de conservação, aumentando o risco de infecções gastrointestinais. O pediatra também chama a atenção para um hábito comum entre os pais: agasalhar excessivamente bebês e crianças pequenas, mesmo nos dias quentes. O excesso de roupas dificulta a perda de calor pelo corpo e pode provocar desconforto térmico. A orientação é escolher peças leves, manter os ambientes ventilados e evitar a exposição prolongada ao calor. Proteção começa antes de sair de casa – O protetor solar é recomendado a partir dos 6 meses de idade , com produtos adequados ao público infantil. Para bebês menores, a principal orientação é evitar a exposição direta ao sol, utilizando roupas leves, sombra e outras barreiras físicas. Mesmo entre crianças maiores, o protetor não substitui cuidados como evitar os horários de radiação solar mais intensa, oferecer líquidos regularmente e procurar locais protegidos do sol. Bonés, chapéus e roupas apropriadas ajudam a reduzir a exposição, especialmente durante brincadeiras ao ar livre. Um descuido pode ser fatal – Entre os riscos associados ao lazer, o afogamento é um dos mais graves. E episódios registrados em Mato Grosso do Sul mostram que a presença de adultos nas proximidades não garante, por si só, a segurança das crianças. Em janeiro deste ano, um menino de 2 anos morreu afogado em uma piscina durante uma reunião familiar em Vicentina. Conforme a investigação relatada pelo Campo Grande News, adultos que estavam no local não perceberam imediatamente o afogamento porque acreditaram que a criança estivesse brincando. Em abril, uma menina de 2 anos também morreu após se afogar na piscina de uma residência em Campo Grande, durante um encontro familiar. Os episódios reforçam uma orientação do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul: crianças pequenas devem permanecer ao alcance de um braço do adulto responsável quando estiverem na água. A supervisão precisa ser contínua, sem distrações com celulares ou outras atividades. “Nunca tire o olho da criança. Crianças são imprevisíveis, ágeis e ainda não conseguem medir riscos e consequências de determinadas ações”, afirma Otávio. O perigo não se limita às piscinas. Baldes, bacias, caixas-d'água e outros recipientes também podem representar risco, principalmente para bebês e crianças pequenas. Coletes salva-vidas adequados à idade e ao peso podem oferecer proteção adicional em situações específicas, mas não substituem a supervisão. Boias recreativas não devem ser consideradas equipamentos de prevenção de afogamentos. Perigos escondidos na rotina – Com mais tempo livre em casa, também cresce a necessidade de atenção aos objetos e produtos que ficam ao alcance das crianças. Medicamentos, produtos de limpeza e substâncias químicas devem permanecer guardados em locais altos, fechados e, preferencialmente, trancados. Transferir produtos para garrafas de refrigerante ou recipientes de alimentos aumenta o risco de ingestão acidental. “A criança passa mais tempo em casa, e se não tivermos cuidado redobrado com o lugar e disposição de cada coisa, acidentes podem e vão acontecer”, adverte o pediatra. A prevenção inclui observar os ambientes onde a criança brinca, proteger acessos a piscinas e manter produtos perigosos fora de seu alcance. Respiração também merece cuidado – Embora o calor concentre boa parte das preocupações, crianças com rinite e asma também podem apresentar desconforto respiratório em períodos de mudanças climáticas. Segundo Otávio, fatores como pólen, poeira e alterações nas condições do ar podem contribuir para o agravamento de sintomas alérgicos. Lavagem nasal com solução salina e medidas para reduzir a exposição a agentes irritantes podem ajudar, conforme a orientação médica. O uso de umidificadores exige cautela e higienização adequada, já que o excesso de umidade e equipamentos mal conservados podem favorecer a proliferação de microrganismos. Em crianças com asma, tosse persistente, chiado e dificuldade para respirar merecem atenção. Falta de ar intensa, esforço para respirar ou alteração da coloração dos lábios exigem atendimento de urgência. Para o pediatra, a principal medida é observar o comportamento da criança e reconhecer quando algo foge do habitual. A prevenção não depende apenas de cuidados durante viagens ou passeios, mas de pequenas decisões tomadas diariamente. Com o verão se aproximando, água disponível, ambientes seguros e supervisão constante são medidas simples que podem evitar problemas graves.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *