Vinícius Guarani usou as palavras para levar seu povo para o mundo

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Aos 8 anos, Vinícius Guarani já tinha publicado seu primeiro livro. Quase 25 anos depois, a relação com as palavras ganhou a missão de fazer com que histórias, poemas e produções culturais de Mato Grosso do Sul cruzem fronteiras e alcancem leitores de diferentes países. Descendente do povo Guarani, ele encontrou na literatura uma maneira de dar visibilidade à própria cultura e abrir espaço para escritores que nem sempre conseguem chegar aos grandes circuitos editoriais. Nascido em Antônio João e de descendência Guarani, Vinícius sempre teve incentivo à educação e cresceu em uma casa onde a leitura fazia parte da rotina. O pai costumava entregar revistas e enciclopédias para ele produzir redações, corrigia os textos e cobrava atenção à escrita. A primeira publicação veio aos 8 anos, com o livro ‘Léo Leão Solitário’, uma história sobre um leão que vivia sozinho na selva. A produção infantil foi o início de uma relação com a escrita que nunca mais parou. “Na adolescência eu já fazia poesia. Em Dourados, frequentava a biblioteca da Escola Estadual Presidente Vargas, pegava livros e declamava poemas pelos corredores”, conta. Com o tempo, ele conta que a literatura foi deixando de ser apenas uma expressão individual para se transformar em uma ferramenta de mobilização coletiva. A ideia de criar uma plataforma de divulgação literária surgiu em agosto de 2024, depois de uma conversa com a poetisa Maria de Lourdes. Ela comentou sobre a dificuldade de fazer seus poemas chegarem ao público, mesmo publicando os textos. Vinícius propôs reunir escritores e poetas para criar uma newsletter colaborativa. “A intenção era divulgar as produções e utilizar os recursos arrecadados para manter a própria estrutura, sem que o projeto tivesse como objetivo gerar lucro individual”, destaca. O que começou como uma mobilização entre amigos cresceu e se transformou no MS Portal, uma rede digital que já tem 36 escritores listados e compartilhou aproximadamente 1.500 poemas entre os integrantes. Com o tempo, o projeto ganhou site, podcast, canal de divulgação no WhatsApp e tem planos de expansão para o YouTube. “A plataforma não se limita à publicação de poemas. A gente também desenvolve pesquisas, define pautas, organiza conteúdos e faz a divulgação dos trabalhos para aproximar autores de diferentes regiões”, explica. O alcance do projeto superou os limites do Estado e até do Brasil. De acordo com o escritor, a plataforma recebe visitas de países como Guatemala, Panamá, México, Paraguai, Uruguai e Argentina, além de acessos de instituições e organizações internacionais. “Já registramos 1,2 milhão de acessos em uma semana e a plataforma já tem mais de 230 mil usuários”, lembra. Nesse movimento, a produção cultural indígena e latino-americana encontra mais um caminho de circulação. “A intenção é fazer com que histórias e perspectivas que muitas vezes permanecem restritas às próprias comunidades possam alcançar novos públicos”, pontua. Para Vinicius, cultura e política estão presentes nas experiências mais simples da vida. Por isso, a literatura também representa uma maneira de participar das discussões sobre identidade, pertencimento e reconhecimento. "Política e cultura são duas coisas que são indissociáveis da experiência humana na Terra. Quero que a literatura seja também um caminho para dar visibilidade ao meu povo, à nossa cultura e às nossas histórias", afirma. Apesar do crescimento, manter uma iniciativa independente ainda é um desafio. “É muito difícil ter patrocínios e sustentar financeiramente a estrutura, mesmo com parcerias com livrarias, editoras e escritores com os independentes”, finaliza. O Portal MS Poetar pode ser acessado clicando no link.

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