Nas redes sociais, só se fala no Barretão, ou Festa do Peão de Barretos, interior de São Paulo. Mas o que muita gente talvez não saiba é que Mato Grosso do Sul tem uma ligação histórica com as raízes de uma das maiores festas de peão do Brasil. Muito antes dos grandes shows, das multidões e da famosa arena projetada por Oscar Niemeyer, boiadeiros que saíam do território que hoje pertence a Mato Grosso do Sul já cruzavam a região de Barretos. Na época, o estado sul-mato-grossense ainda fazia parte de Mato Grosso, e peões, principalmente da região de Paranaíba, encaravam longas comitivas rumo ao interior de São Paulo, conduzindo tropas que podiam ultrapassar mil cabeças de gado. Hoje, sair de Campo Grande e chegar a Barretos significa percorrer cerca de 700 quilômetros de carro, em uma viagem de aproximadamente 9 horas. Já de Paranaíba, cidade que teve papel importante nas antigas rotas dos boiadeiros, são cerca de 330 quilômetros, pouco menos de 5 horas. No passado, essa viagem era bem diferente. Eram muitos dias na estrada. Ao chegar à região de Barretos, esses peões encontravam um ponto de parada, descanso e encontro com outros boiadeiros. Era também nesses momentos que mostravam suas habilidades na lida com o gado e surgiam disputas entre os peões. Esses encontros e competições ajudaram a fortalecer a cultura do rodeio na região. Foi nesse cenário que, em 1956, nasceu a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos. Com o passar dos anos, o evento cresceu e se transformou no Barretão que hoje reúne milhares de pessoas e movimenta as redes sociais em todo o país. Por isso, quando um sul-mato-grossense vai ao Barretão, talvez nem imagine, mas também está reencontrando um pedacinho da própria história.


