Biblioteca municipal reabre na Esplanada com 35 mil livros

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A biblioteca Anna Luiza Prado Bastos Profª Galega enfim mudou de lugar e voltou a funcionar. Foram 10 meses encaixotando os 35 mil exemplares para dar um destino mais digno para os livros que estavam no Horto Florestal. Agora ela está na Esplanada Ferroviária, ao lado da Feira Central. Entre o acervo, 5 mil são livros regionais. A reabertura aconteceu nesta quarta-feira (12) e contou com a presença de estudantes da rede municipal de educação. A mudança coloca novamente à disposição da população um dos acervos mais tradicionais de Campo Grande. No novo endereço, a expectativa é de que a biblioteca também ajude a movimentar a região histórica da Esplanada, que nos últimos anos tem sido alvo de preocupação de moradores por episódios de vandalismo e furtos de fios. Para reforçar a segurança e preservar o patrimônio, a previsão, segundo o secretário Municipal de cultura, Valdir Gomes, é de que o espaço conte com 3 guardas, além de viaturas realizando rondas pela região. Os moradores do entorno acompanham a medida com atenção, comemoram a chegada da biblioteca, mas temem que a falta de cuidado e de segurança a prejudique. Moradora da região e integrante da associação de moradores, Katia Larucci, de 47 anos, vê a instalação da biblioteca como um alívio. “É uma reivindicação nossa que a cultura venha para cá, que não venha só baderna, mas que as famílias possam frequentar e que existam atividades que promovam cultura, lazer e bem-estar. A biblioteca é tudo o que a gente precisa e quer. O livro abre mundos para as pessoas”. Segundo Katia, o espaço não deve atender apenas quem mora no entorno, mas toda a cidade e também visitantes que passam pela região central. Para ela, ocupar a Esplanada com atividades culturais é uma forma de resgatar a importância histórica do local. Lutamos para que isso seja vivo, seja revitalizado, para que as pessoas sintam prazer de estar na parte histórica da cidade. Campo Grande só é o que é por conta da Esplanada Ferroviária. Os moradores do entorno ajudaram a construir a história de Campo Grande”, completou. A reabertura também emocionou a moradora Tatiana De Conto, de 53 anos, diretora do Museu de Arte Urbana e contadora de histórias. Para ela, ter uma biblioteca próxima de casa cria novos sonhos. “Para um contador de histórias ter uma biblioteca do lado de casa é incrível, eu estou emocionada. Uma biblioteca é sempre um lugar de conhecimento, criatividade, pensamento e criação. A literatura transforma vidas e transforma as pessoas”. Ao Lado B , o secretário municipal de Cultura, Valdir Gomes, comentou sobre a possibilidade de transferir futuramente a biblioteca para o complexo do Belas Artes. Vale lembrar que, mesmo com a movimentação em 2025, a obra segue parada e sem previsão oficial de entrega. A expectativa do secretário é de que isso aconteça em janeiro ou fevereiro de 2027. O secretário explicou que a administração decidiu reabrir a biblioteca antes da mudança supostamente definitiva por considerar importante que o acervo voltasse a ser acessado, especialmente pelos jovens. Segundo ele, os cerca de 35 mil livros foram preservados durante o período em que permaneceram encaixotados. “Tinha muitos exemplares guardados. Quando estava no Horto, os livros não foram perdidos porque estavam encaixotados. A gente viu que a estrutura estava ruim e fizemos isso justamente para evitar perdas. Está tudo intacto, nada se perdeu. O acervo é muito rico”, afirmou. O trabalho de organização e preservação levou mais de 10 meses e envolveu o encaixotamento e a catalogação dos exemplares. Para a diretora-adjunta da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, Jaqueline Vital, a instalação da biblioteca no complexo ferroviário aproxima literatura e patrimônio histórico. “Estamos felizes porque estamos reabrindo as portas da biblioteca municipal no complexo ferroviário, que é onde começou a história de Campo Grande, onde tantas famílias chegaram e partiram. Quem vier e puder se deliciar com a leitura regional vai poder ler olhando para os trilhos da cidade. Isso é uma imersão na história e um resgate do nosso patrimônio”, destacou. A coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas e diretora de Memória e Patrimônio Cultural de Mato Grosso do Sul, Neli Sena, também ressaltou a relevância histórica do acervo, especialmente das obras relacionadas à literatura regional. “Ela é muito especial. Temos um tesouro da literatura regional. Quando abre uma biblioteca, ela abre todo um espaço de magia e sonhos. Diferente de uma biblioteca escolar, essa é da população. Hoje é um dia de alegria e de festa, principalmente em um país onde vemos municípios fechando bibliotecas”, afirmou. Durante a cerimônia, o vereador Ronilço Guerreiro também destacou o papel da leitura e dos investimentos em educação e cultura. “Como é importante acreditar na cultura e na educação. Nada tira de mim o prazer de um livro. Nem um computador, nem um notebook”. O acervo contempla diferentes áreas do conhecimento e inclui obra em Braille, livros de autores regionais, revistas, histórias em quadrinhos, audiolivros e lançamentos literários. O local também oferece 8 computadores para uso do público. Para levar livros para casa, é necessário fazer um cadastro, apresentar um documento pessoal e um comprovante de residência para emissão da carteirinha. O prazo de empréstimo é de 15 dias. Além da retirada de exemplares, o público pode usar o espaço para leitura. A biblioteca funciona das 7h30 às 13h30 de segunda a sexta.

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