"Ele era um menino carinhoso, companheiro, amigo. Eu não tenho nem o que falar dele. Sempre foi uma pessoa boa, trabalhador, sentava do meu lado". O relato emocionado é da costureira Patrícia dos Santos, de 44 anos, ao lembrar do filho caçula, Kayke Juliano dos Santos Theotônio. O jovem, de 21 anos, foi assassinado na noite do último sábado (8) após ser esfaqueado no peito durante uma briga na região central de Campo Grande. Sem conseguir assimilar a perda, Patrícia descreve o vazio deixado pela violência. "Foi uma coisa inesperada, a gente não esperava isso. Ele ia na igreja", conta durante a despedida de Kayke na manhã desta segunda-feira (10). Na noite do crime, Kayke estava em um momento de lazer, segundo a costureira, que ainda não sabe os motivos da briga que terminou com a morte do rapaz. "Ele estava em uma festa com os amigos, sabe? Aí saiu uma briga lá, a gente não sabe o porquê. E acabaram dando uma facada nele", desabafa a mãe. A notícia do assassinato chegou por meio de conhecidos. A costureira foi até o local onde o crime aconteceu acreditando que encontraria Kayke vivo. No entanto, ao chegar ao cruzamento das ruas 14 de Julho e Maracaju, se deparou com o rapaz morto. "Fiquei sabendo por amigos. Aí na hora eu fui lá, ainda vi meu filho no chão", recorda. Ainda conforme a mãe, Kayke aceitava todo tipo de trabalho e esperava reatar com a ex-companheira, com quem tinha uma filha de 3 anos. "Ele tinha planos para o futuro. Fazia diárias com serviços gerais, não rejeitava serviço nenhum. Ele estava tentando reatar com a minha ex-nora, com a mãe da filha dele", lamenta Patrícia. "Nossa, não tem nem o que falar. Eu não sei nem descrever o que estou sentindo, porque é uma perda muito grande. O meu filho mais novo é o caçula. Eu estou acabada por dentro. Estou desesperada. É difícil aceitar", continua. Até o momento, a família busca respostas e informações concretas sobre quem cometeu o crime. "Uns falam que autor está preso, outros não. O policial falou que está em investigação e qualquer coisa vai me dar informação, porque até agora a gente não sabe de nada", alega. Mesmo ciente de que a responsabilização do criminoso não trará o caçula de volta, Patrícia cobra rigor das autoridades. "Eu quero justiça. Quero justiça porque, dependendo de qualquer coisa, a gente conhece o filho da gente quando está perto. Quando sai de perto, a gente não sabe quem é, né? Mas para tudo tem que ter justiça". Sem plano funerário, para garantir um sepultamento de Kayke, amigos e parentes se mobilizaram em uma corrente do bem. "A gente não pagava plano funerário. Fizemos uma vaquinha social. Todo mundo ajudou: amigos, parentes… Todo mundo se juntou. Eu agradeço muito a todo mundo pelo que fez, porque se não fosse por eles, eu não sabia nem o que fazer", finaliza a mãe, emocionada. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias da briga e trabalha para identificar o autor do golpe fatal.

