Com a captura de Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, ontem (2), na Bolívia, todos os herdeiros do clã passaram a estar atrás das grades. Os irmãos Jorge e Rafael estão presos desde novembro de 2025, no âmbito da investigação sobre a exploração do jogo do bicho. O pai, Roberto Razuk, também foi detido, mas cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde. Neno Razuk foi detido pela polícia boliviana por ingresso e permanência irregulares no país e entregue às autoridades brasileiras na fronteira. Levado para a PF (Polícia Federal) em Corumbá, ele tinha mandado de prisão preventiva em aberto desde 8 de julho. O ex-parlamentar também já foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, em outro processo decorrente da Operação Successione. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, depois que Razuk perdeu o mandato de deputado estadual, em maio, e deixou de ter foro privilegiado. A ordem foi expedida em uma ação diferente daquela em que ele já foi condenado. Na decisão, o magistrado apontou risco à ordem pública. Conforme a investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ele seria uma das lideranças da organização e o grupo continuaria em atividade. Para o juiz, a prisão era necessária para interromper a suposta continuidade das práticas criminosas e preservar a instrução do processo. A defesa do ex-deputado nega o envolvimento dele com crimes. Os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk foram presos em 25 de novembro de 2025, durante a 4ª fase da Operação Successione. Na mesma ofensiva, também foi detido o pai deles, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, em casa, em Dourados. Na ocasião, Neno não foi alvo da ordem de prisão porque ainda exercia mandato parlamentar e tinha foro privilegiado. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o pai, Roberto Razuk, e os filhos Jorge e Rafael formariam o chamado núcleo duro de uma organização criminosa ligada à exploração de jogos de azar. A Operação Successione apurou, ainda, suspeitas de roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. As defesas negam a existência da organização criminosa e afirmam que as acusações serão contestadas na Justiça. As investigações indicam que o grupo não estaria limitado às tradicionais bancas do jogo do bicho. Conversas analisadas pelo Gaeco mostrariam o interesse em testar um sistema híbrido de apostas, chamado de “jogo do bichinho”, que funcionaria presencialmente e pela internet, em máquinas semelhantes às utilizadas para pagamentos com cartão. Um dos sistemas permitiria sorteios a cada cinco minutos. Os diálogos também apontariam planos de expansão para o Paraguai. Segundo a denúncia, um áudio compartilhado por Rafael Razuk tratava da possibilidade de financiar a exploração de uma modalidade semelhante ao jogo do bicho em território paraguaio, por meio da aquisição de uma empresa licenciada. Para os promotores, a conversa demonstraria a intenção de aproveitar no exterior a experiência adquirida pelo grupo na atividade clandestina no Brasil. A 4ª fase da operação cumpriu 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de cidades do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Foram apreendidos documentos, celulares, armas, munições, máquinas usadas nos jogos, cheques, moedas estrangeiras e R$ 274,9 mil em dinheiro. De acordo com o Gaeco, o material indicaria a existência de uma estrutura com divisão de funções, controle financeiro e estratégias de expansão. A investigação também cita a apreensão de mais de 700 máquinas de apostas e documentos sobre a compra de bens móveis e imóveis em nome de terceiros, supostamente utilizados para ocultar a origem de recursos. Condições – Roberto Razuk é o único dos quatro integrantes da família que não está em uma unidade prisional. Depois de ser preso em novembro, ele passou a cumprir prisão domiciliar devido à idade e ao estado de saúde. No dia 5 de julho foi internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Unimed de Dourados. Segundo advogado Ricardo Pereira, que representa a família, o patriarca da família já recebeu alta hospitalar e se recupera em casa, ainda beneficiado com a prisão domiciliar.


