Considerado desertor, bombeiro réu por feminicídio entra em “limbo” funcional

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O subtenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Elianderson Duarte, de 45 anos, réu pelo feminicídio da esposa, a enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, foi oficialmente considerado "agregado" na corporação. A medida coloca o militar em um “limbo” funcional, condição legal aplicada enquanto ele permanece afastado do serviço ativo por estar preso e respondendo a processo criminal. O crime ocorreu em 3 de março deste ano, na residência da família em Ponta Porã, a 313 km da Capital, quando a vítima foi atacada a golpes de marreta na cabeça, vindo a falecer três dias depois em decorrência dos ferimentos. A portaria que formaliza a agregação foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (14). A declaração de deserção que fundamentou a medida ocorreu após o bombeiro fugir do Presídio Militar Estadual, em Campo Grande, no dia 12 de junho, utilizando cordas feitas de lençóis para escalar o telhado e pular o muro. Elianderson permaneceu foragido por 14 dias até ser localizado e recapturado por equipes da Polícia Militar em uma casa no Bairro Vila Almeida, na Capital, sendo novamente reconduzido à cela. Assinado pelo comandante-geral em exercício, coronel Adriano Noleto Rampazo, o ato determina que o militar fique adido ao 4º GB (Grupamento de Bombeiros Militar) de Ponta Porã para fins de acompanhamento processual e alterações funcionais. Questionado sobre os procedimentos adotados e o futuro do militar na instituição, o Corpo de Bombeiros informou que a condição de agregado é mantida enquanto o servidor permanecer fora de serviço em razão da prisão e do processo. A corporação destacou ainda que já tramita um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) que pode resultar na exclusão definitiva de Elianderson dos quadros do bombieor, e que o andamento do procedimento disciplinar aguarda a colheita das provas testemunhais na esfera judicial, em especial para preservar e proteger as vítimas sobreviventes antes do uso das provas no âmbito administrativo. Em nota, a instituição reiterou que "não compactua com qualquer conduta em desacordo com os princípios da legalidade, ética e disciplina". O crime – Segundo a denúncia do Ministério Público, o subtenente atacou a esposa com marretadas dentro da residência do casal. Na ocasião, os filhos tentaram intervir para defender a mãe e também acabaram feridos ou abalados emocionalmente pelo ataque. Liliane chegou a ser socorrida em estado grave e transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, mas teve a morte cerebral confirmada em 6 de março. Além de responder por feminicídio consumado contra a esposa, Elianderson também é réu por tentativa de feminicídio e homicídio qualificado contra os filhos que tentaram socorrer a vítima.

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