Neste domingo (24), completa um ano da morte do policial militar aposentado Nelson Carvalho Vieira, de 67 anos, e do neto dele, Denner Vieira Vasconcelos, de 21. Os dois foram mortos a tiros dentro da casa da família, na Vila Moreninha II, em Campo Grande. Um ano após o crime, a residência onde ocorreram os assassinatos continua ocupada por Regina Freitas Vieira, viúva de Nelson e avó de Denner. Entre lembranças, medo e ameaças, ela diz viver “como numa prisão”. “Eu não posso mais sair, não posso ficar na frente da minha casa. Não posso fazer mais nada”, afirmou emocionada ao defender que os autores do crime sejam submetidos logo ao júri popular. Segundo Regina, o crime ocorreu em 24 de maio de 2025. Avô e neto estavam na varanda da residência, quando foram atingidos por disparos de revólver. Ela conta que dois homens chegaram em uma motocicleta Honda Biz branca, e um dos ocupantes desceu e fez dezenas de tiros. Nelson foi atingido por um disparo, enquanto Denner sofreu múltiplas perfurações, muitas delas no rosto, que, segundo a avó, ficou desfigurado. O cachorro da família também foi baleado e ficou cego de um dos olhos. Emocionada, ela relata ter presenciado toda a execução. Foram presos Guilherme Urbanek da Rocha, réu confesso do crime, e Vitor Manoel Rodrigues da Silva, conhecido como “Veinho”, apontado como comparsa. Regina afirma, porém, que outras pessoas participaram da ação e cobra que os envolvidos sejam identificados. Segundo ela, uma audiência prevista para o início deste ano acabou adiada e ainda não há nova data definida. Regina diz que o processo tramita em segredo de Justiça e que o caso é acompanhado por um defensor público, mas ela não apresentou documentos ou contatos da defesa. Solidão e medo – Ao longo da entrevista, Regina relatou que a rotina da família mudou completamente após o crime. Os outros dois netos, irmãos de Denner, deixaram Mato Grosso do Sul depois de receberem ameaças. “Eu perdi tudo, perdi meus netos por causa dele. Isso não é justo”, afirmou. Ela conta que motociclistas passam frequentemente em frente à residência acelerando os veículos e que, algumas vezes, há disparos na esquina próxima. Apesar do medo, diz que não pretende deixar a casa onde vive há mais de 4 décadas. “Como eu vou sair? Moro aqui há 46 anos. Vou sair para pagar aluguel? Não tenho condições”, disse. Segundo Regina, o imóvel recebeu grades e câmeras de monitoramento após ameaças anteriores. Ainda assim, ela afirma continuar insegura. Sofrimento psicológico – Regina também relata que a mãe de Denner, Alexandra Freitas Vieira, sofre consequências profundas desde o assassinato do filho. Segundo ela, Alexandra faz tratamento psiquiátrico e vive sob uso de medicação controlada. A avó relata episódios de tentativa de suicídio e diz que hoje precisa cuidar da filha constantemente. “Ela só fala que vai morrer, que vai se matar. Ela não aceita a morte do filho”, contou. Motivação do crime – De acordo com Regina, há suspeita de que o autor do crime acreditava que um dos netos dela estaria envolvido na morte do irmão dele. No entanto, segundo ela, a investigação concluiu que o familiar não tinha relação com o caso. Ela afirma que Denner acabou se tornando alvo da vingança. “O meu neto não tinha nada a ver”, disse. Durante a entrevista, Regina também relatou dificuldades financeiras enfrentadas após a morte do marido. Segundo ela, o lava-jato mantido pela família deixou de funcionar e houve atraso no recebimento da pensão. “Se não fosse a ajuda de um e de outro, eu tinha passado até fome”, afirmou. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .


